Resenha publicada no Estadão em 1º.12.2012. No momento em que as mais de mil páginas de Infinite Jest estão sendo traduzidas, nada melhor do que uma introdução à prosa virtuosística de David Foster Wallace. Até porque o volume de contos Breves Entrevistas com Homens Hediondos, lançado há alguns anos, só atingiu uma parcela relativamente maior […]
Categoria: Literatura
Sobre "Vício Inerente", de Thomas Pynchon
Resenha originalmente publicada no jornal O Globo, em 18/12/2010. No livro “Bartleby e Companhia”, Enrique Vila-Matas conta a história de um professor que escreveu uma tese sobre a obra de Thomas Pynchon e queria muito conhecê-lo pessoalmente. Ocorre que o cultuado autor de “O arco-íris da gravidade” e do recém-lançado no Brasil “Vício inerente” é […]
Saer, Austen e uma casa demolida
::: O que não termina sempre volta para nos assombrar. Ou sequer vai embora. É nesse espírito que o romance inacabado O Grande (trad.: Heloisa Jahn, Cia. das Letras) adquiriu um caráter ainda mais assombroso para mim. Permanecerá dando voltas na minha cabeça, num processo de atualização constante. A província está inteira nele. Vaza de suas páginas. […]
O fim nunca termina.
Um excerto do meu romance DENTES NEGROS [Rocco, 2011] Ele tem certeza: são duas crianças. Ele acha que. Não: de onde está não pode ter certeza de coisa alguma. Mas são duas crianças, sim. Um pouco mais próximas agora. Duas crianças muito pequenas e muito jovens brincando na distância. Ele não tem certeza de que […]
Exit Roth.
A notícia de que Philip Roth estaria se aposentando não me surpreendeu ou chocou. A impressão que eu tenho é de que ele estava se despedindo da escrita desde Patrimônio, lançado em 1991. Claro, foi no decorrer dos anos seguintes que ele produziu obras-primas (além de Patrimônio) como Operação Shylock, O Teatro de Sabbath e […]
Em torno de 'Antígona'
No texto de apresentação à edição brasileira de Introdução à tragédia de Sófocles, Ernani Chaves nos chama a atenção para a Segunda consideração extemporânea, na qual Friedrich Nietzsche afirma que “o estudo dos clássicos precisa assegurar a permanente ligação entre conhecimento e vida”. Seguindo por esse caminho, talvez seja o caso de citar outra apresentação, […]
Acontece com todo mundo, o tempo todo.
Trecho do meu romance Como desaparecer completamente [Rocco, 2010]. Minha primeira namorada: Cecília. Vizinhas, famílias vizinhas. Crescendo juntas. Todo mundo, depois de um certo tempo, ora, todo mundo sabia. Mas, claro, não se comentava. As meninas trancadas no quarto. As meninas o tempo todo juntas. As meninas, tão amigas. Dezoito anos. Claro, uma relação aberta. […]
A constante lembrança do vazio.
1. O romance Quiçá, de Luisa Geisler, é um enorme apartamento vazio (exceto, talvez, por uma televisão (Full HD, conexão à Internet, com 3D, 52 polegadas)) por onde circulam Arthur e Clarissa. É, também, a ideia de uma cidade, Distante, de onde veio Arthur e para onde talvez voltará. 2. Distante é, parece ser, uma […]
"O que é que eu tenho que procurar?"
Fuçando na papelada que abarrota a minha vida, encontro uma pasta com diversas versões de Aneurisma. Ali no meio, um punhado de folhas manuscritas, os primeiros rascunhos dessa que é a coisa que mais me apetece ter escrito até hoje. Aneurisma é uma novela publicada em meu segundo livro, Paz na Terra Entre os Monstros. […]
Anotações sobre o tema 'Escritas da Finitude' (Flip#2012).
. Dentes negros é um livro impulsionado para o fim. Talvez por isso seja tão breve. A ideia era criar uma narrativa enamorada pela finitude. Um ideal de concisão que pressupõe, circunscreve e desenvolve o tema. Tenho para mim que romances apocalípticos devem ser breves. Não se tergiversa, não se digressiona demais diante do abismo. […]