Categoria: Leituras

Pnin

Vladimir Nabokov afirmou que seu livro “mais alegre” (gayest) é “King, queen, knave”. Está no prefácio que ele escreveu para a versão em inglês¹ do romance, o segundo que publicou na vida, em 1928, quando vivia em Berlim e ainda romanceava em russo. Esse livro não é editado no Brasil desde a década de 1970; […]

Tanizaki

Estava lendo “Há quem prefira urtigas”¹ (1929), de Junichiro Tanizaki, e pensando no quanto algumas passagens, embora divertidas (para o leitor cínico, não para a criançada gatilhesca e muito menos para os personagens), pareciam meio pedestres. Eu me refiro, especificamente, à visita do primo do protagonista, à manhã sonolenta em que a criança brinca com […]

Esforço de abertura

Prae, de Miklós Szentkuthy¹, se passa na Côte d’Azur e uma de suas protagonistas é Leatrice, prostituta russo-judia que trabalha em um clube noturno (“Perspective”; nome quase tão bom quanto “Bada Bing!”, vai). A certa altura do romance (no final do primeiro volume), ela decide mudar de vida e abraçar uma existência menos materialista, por […]

Fuga com direção

Resenha publicada no Estadão em 05.05.2026 (na edição impressa, em 12.05.26). Clique nas imagens para ampliar ou leia o texto abaixo. Lá é o tempo, de Maria Fernanda Maglio, foge de resoluções fáceis ao lidar com amizade, violência e memória. Uma forma de apresentar Lá é o tempo (Todavia), segundo romance da paulista Maria Fernanda […]

Quando Bayard era jovem

Há beleza e também ironia no título The unvanquished¹. A beleza está no termo inusual que poderíamos traduzir como “Os invencidos”. Salvo engano, a extinta Expressão e Cultura lançou o livro com esse título algumas décadas atrás, e é importante não confundi-lo com outro romance de William Faulkner, The reivers, publicado no Brasil como Os invictos². São obras […]

Adeus, António

Texto publicado no Estadão em 05.03.2026. Morre Lobo Antunes, o maior prosador da história da literatura de língua portuguesa. Nascido em 1942, António Lobo Antunes só publicaria seus dois primeiros romances em 1979: Memória de Elefante e Os Cus de Judas. Neste, ficcionalizou pela primeira vez as suas vivências como médico militar na Guerra de […]

Banville/Black (1) – “Christine Falls”

Dentre os ficcionistas em atividade, o irlandês John Banville (1945) talvez seja o melhor prosador da língua inglesa. Frase por frase, construção por construção, ninguém é tão preciso e, ao mesmo tempo, tão imprevisível em sua imageria. Isso é facilmente verificável em qualquer romance publicado por ele desde a estreia, em 1971, com o pesadelesco […]

Três histórias de Natal

Artigo publicado no Estadão. Nada como cear na companhia de Tchékhov, Cheever e Carver Por razões literárias e psiquiátricas, o Natal talvez seja o feriado mais explorado pelos ficcionistas. Familiares reunidos e ébrios oferecem material farto para a fabulação. Dentre os exemplos mais conhecidos, estão as investidas de Charles Dickens e Mário de Andrade. O […]

Mainardi ‘fecit fecit’

No estupendo Meus mortos: um autorretrato (Record), Diogo Mainardi não chega a inventar uma linguagem que não existia, mas certamente retrata um mundo que deixou de existir. Este mundo é tanto particular — no começo da década, ele perdeu o pai, o irmão e a mãe em questão de meses — quanto universal. O livro, que li como […]