William(s)

Leitores brasileiros são bem servidos de traduções, mas ainda existem algumas lacunas inexplicáveis: os norte-americanos William Gaddis e William H. Gass são as maiores, acho. Gaddis já estreou com o romance que o pobre Jonathan Franzen tenta escrever a vida inteira e passa longe de conseguir: The Recognitions. Gass nos deu uma narrativa (The Tunnel) disfarçada […]

FW – notas (II)

::: Instaurada a cena (HCE), o segundo capítulo do Livro I trata de contaminá-la com o obsceno. Se, comparativamente ao diurno Ulysses, o Finnegans Wake se coloca contra o dia, o capítulo se põe/insurge contra a cena. É obscenus, mas também obscaenum, onde caenum remete à sujidade: no “nosso mais esplêndido parque”, HCE é confrontado por um sujeito de aspecto “luciferante”, alguém […]

Kentucky fried zombies

O apocalipse chegou ao EUA. Mais precisamente, à Universidade do Kentucky, em Lexington. Hoje, a professora Emanuelle Oliveira-Monte apresentou Zombie Apocalypse in São Paulo: Fantastic and Alterity in André de Leones’ Dentes negros. A fala integra o painel “The Fantastic in Brazil: An Exploration of the Political, Psychological, and Literary Implications of the Fantastic Genre, […]

Notas sobre “Cavaleiro de Copas”

::: Cavaleiro de Copas investe em uma fluidez que acentua exatamente a fragmentação e o esgarçamento de seus personagens. Terrence Malick radicaliza procedimentos fílmicos semeados em Árvore da Vida e regados em Amor Pleno. Elementos deste e daquele comparecem no longa de 2015, mas, no lugar da possibilidade da aceitação dolorosa dos silêncios de D’us (em […]

A caminho

Trabalho em um novo romance há algum tempo. O título provisório é Eufrates. Publiquei trechos dele aqui e aqui. É um livro que estruturalmente se assemelha mais a Terra de casas vazias que ao seu antecessor direto, Abaixo do paraíso (do qual, no entanto, é uma espécie de desdobramento). Histórias paralelas, tramas dispersas no tempo […]

28 anos hoje

Vinte e oito anos desde o Desastre de Hillsborough, em que noventa e seis homens, mulheres e crianças, torcedores do Liverpool, perderam suas vidas. Apenas no ano passado a justiça começou a ser feita. É só o começo. YNWA.

FW – notas

::: Lendo Finnegans Wake, de James Joyce. Lendo Finnicius Revém (cinco volumes, alguns dos quais esgotados, ed. Ateliê), a tradução de Donaldo Schüler. Lendo, lendo, lendo. ::: A História como um pesadelo cíclico, confirmado pela própria estrutura do romance, um círculo completo que anoitece e amanhece conforme (ainda que disformemente) as quatro idades viconianas: teocrática, aristocrática, democrática […]