A prece de Enriquez

Texto publicado hoje n’O Popular. Elemento recorrente na chamada literatura fantástica é o estabelecimento de alguma mitologia. Ao recriar o mundo no qual nascemos, vivemos e morremos, o(a) autor(a) costuma investir em um universo com entidades que escapam à nossa realidade imediata. São universos que muitas vezes se confundem, sustentam ou até mesmo suplantam o […]

Brautigan

Texto publicado hoje n’O Popular. Embora seja chamado de “o último dos beats”, não creio que Richard Brautigan (1935-1984) tenha muito a ver com um Kerouac, por exemplo. Se o “datilógrafo” Kerouac é muitas vezes palavroso e desleixado, Brautigan é econômico e preciso; se as imagens de Kerouac às vezes soam meio forçadas e até […]

Pynchon: links

No decorrer dos anos, tenho escrito um bocado sobre vários dos livros de Thomas Pynchon. Abaixo, os links. Resenhei Vício Inerente para O Globo em dezembro de 2010. Leia AQUI. Voltei ao mesmo livro em 2015 e desovei mais alguns parágrafos a respeito dele AQUI. Falei sobre O Arco-Íris da Gravidade para a Rádio Batuta […]

Fome(s)

1. JR¹ é o segundo e premiado romance de William Gaddis. Lançado em 1975, vinte anos após sua estreia com o soberbo The Recognitions², é uma sátira selvagemente engraçada da América corporativa (“what America’s all about”, dizem vários personagens no decorrer do livro) e também uma reflexão pungente sobre o (não-)lugar do artista no mundo contemporâneo. […]

Do silêncio armado

Artigo publicado na décima edição da Revista Helena. À memória de Aldair da Silveira Aires.    1. Na obra caudalosa do mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), o diabo não está “na rua, no meio do redemoinho”, mas surdamente exposto, nu e às vistas de todos, tomando os nossos olhos para si. Madona dos Páramos¹, romance […]

Dos reconhecimentos possíveis

Publicado na edição 225 do Rascunho. — Mas você está… você está trabalhando. Você é um artista? — Sim, e vivi como um ladrão. 1. The Recognitions¹ é o romance de estreia do nova-iorquino William Gaddis (1922-1998). Quando de seu lançamento, em 1955, foi massacrado pela crítica (que, salvo por algumas raras exceções, nem se deu ao trabalho de […]

Hanói

Texto publicado hoje n’O Popular. Hanói é um lugar para morrer. Morre-se em todo e qualquer lugar, mas David, trinta e poucos anos, doente terminal e protagonista do romance Hanói (Alfaguara), de Adriana Lisboa, escolhe a cidade vietnamita. É uma vontade dele, viajar, passar ali seus últimos dias. Escolha tão gratuita e casual como foi […]