Categoria: Coisas que a gente vê no escuro

O tempo de Miller

Quando penso na geração de cineastas norte-americanos nascidos após 1960, sempre coloco Bennett Miller entre os meus cinco favoritos. Gosto demais do tempo particularíssimo de seu cinema e da maneira muitas vezes anticlimática, mas jamais desprovida de intensidade, com que lida com seus materiais. Seja a relação entre predador (escritor) e presa (personagem) em Capote, seja […]

Outback

Pena que só tenha visto The Rover – A Caçada ontem. Por certo, estaria na cabeça da minha listinha de melhores de 2014. É o segundo longa de David Michôd (que antes nos dera o ótimo Reino Animal). Ele se volta para aquela aridez australiana, de estradas, tiros e carros, que constitui não só um gênero, […]

Eldorado

“Então eu felicito os mortos que já morreram, mais que os vivos que ainda vivem.” Eclesiastes, 4:2. Eldorado é o episódio final de Boardwalk Empire e traz as duas mortes de Enoch Thompson, seu protagonista. A primeira morte é moral. A segunda, um estilhaço do passado que lhe arranca, de vez, a cabeça. Há uma circularidade sutilmente tecida […]

Harris, Foley

James B. Harris foi sócio de Stanley Kubrick e produziu O Grande Golpe, Glória Feita de Sangue e Lolita. Depois que a parceria acabou, Harris enveredou pela direção. Foram cinco longas entre 1965 (O Caso Bedford) e 1993 (Boiling Point). Gosto particularmente de Cop (1988), com James Woods acordando a filha pequena para, animadamente, falar […]

Treze

Filmes da minha vida. A lista é incompleta porque sou incompleto. ………… 0. Vá e Veja [Idi i Smotri] Elem Klimov, 1985 Um passeio na floresta. Aquele do qual nunca retornamos. ………… 1. Vidas Amargas [East of Eden] Elia Kazan, 1955 São duas da manhã e estou sentado no tapete, próximo da TV. Próximo demais, pois não […]

No hiato

Dices que nada se pierde y acaso dices verdad, pero todo lo perdemos y todo nos perderá. Antonio Machado The Counselor, aqui rebatizado como O Conselheiro do Crime, é sobre um homem condenando-se a um hiato de dor inaudita que se prolongará pelo resto de sua vida. Ou seja, ele para sempre estará encalacrado na […]

Mobília revirada

Quando eu era vivo foi descrito/vendido/rotulado por aí como um “filme de terror com a Sandy”. Felizmente, o longa de Marco Dutra tende a frustrar a ralé que vai atrás de um Atividade Paranormal brasuca e dá de cara com um sobrinho-neto de Roman Polanski. A questão é sempre a ideia que o “público em geral” […]