Categoria: Coisas que a gente vê no escuro

Tarkovski

::: Quando eu era moleque e queria me tornar cineasta, a minha rotina era ver filmes e ler sobre filmes. Não era fácil encontrar bons livros sobre cinema no interior de Goiás (ainda que Silvânia tenha uma biblioteca pública muito boa, como sempre faço questão de ressaltar). Assim, eu dava um jeito de ir a Goiânia […]

Fargeat e o tabuleiro

O subgênero rape & revenge não foi reinventado, subvertido ou “ressignificado” em “Vingança” (“Revenge”, 2017), longa-metragem de estreia de Coralie Fargeat, mas certamente foi ali revigorado. Há um reposicionamento de peças narrativas que, embora não seja inédito, é saudável e refrescante como um bom mergulho na piscina. Além disso, em um filme tão enamorado por corpos, sangue, […]

Reeducação alimentar

Notas sobre Éric Rohmer ::: Éric Rohmer (Maurice Schérer, 1920-2010) era um sujeito tão discreto que a mãe dele morreu sem saber que o filho era um cineasta mundialmente famoso. ::: Escrevi estas notas aleatoriamente, ao longo de vários dias, sem qualquer planejamento. Revi alguns dos filmes citados, mas não outros. Talvez essa anedota sobre […]

Lá fora, os ursos

Acho curiosa a identificação tout court feita por alguns da obra cinematográfica de Jafar Panahi como “neorrealista”. Curiosa, mas não absurda, pois alguns filmes dele (O balão branco, O círculo, Ouro carmim) certamente podem ser enquadrados assim, com seus atores não profissionais, personagens marginalizados, certo naturalismo, filmagens em locações etc. Mas, já no segundo longa […]

Suicídios indolores

Valor sentimental é um filme ruim. “Ah, mas os atores são ótimos.” Sim, é verdade, mas o melhor ator ou a melhor atriz do mundo é ou seria incapaz de elevar um emaranhado de falas e situações medíocres, banalmente escritas, dirigidas e montadas. Joachim Trier, cineasta de nula imaginação visual, é incapaz de conceber um […]

Sobre meninos e bombas

A cineasta norte-americana Kathryn Bigelow filma e monta melhor do que a esmagadora maioria dos marmanjos cujos filmes vejo por aí. Portanto, se há interesse em Casa de dinamite, ele se deve sobretudo ao talento da diretora e do montador Kirk Baxter (colaborador de David Fincher desde Benjamin Button, sendo um dos responsáveis pela estupenda arquitetura fílmica […]

Filme de Toledo

Um amigo presenciou a cena: em uma exibição especial d’O agente secreto em Recife, a governadora de Pernambuco subiu ao palco para (óbvio!) discursar e, mais de uma vez, chamou o cineasta Kleber Mendonça Filho de Kleber Toledo Filho. Talvez a gafe da governadora nos seja útil, pois, no filme, há o que poderíamos chamar de cenas de […]

Na ciclovia com Walter Salles

“Ainda estou aqui” é um filme discreto e elegante que evita as armadilhas óbvias (sentimentalismo, esquematismo) ao lidar com certos temas (ditadura militar, tortura, memória x apagamento (institucional ou não) do passado) e narrar a história de uma mulher e sua família. Discrição e elegância se dão porque Walter Salles é um cineasta de abordagem […]