Texto originalmente publicado na revista Bravo! [ed. 186 – fevereiro, 2013] O início de A Hora Mais Escura se dá literalmente no breu. Não se vê nada na tela. Ouvem-se apenas alguns fragmentos de áudio, que o espectador identifica de imediato: são vítimas do 11 de Setembro falando, desesperadas, ao telefone. É por meio desse […]
Categoria: Coisas que a gente vê no escuro
Jasmine enlouquece
Blue Jasmine é uma tragédia que só se revela enquanto tal por meio de uma reviravolta no último terço, quando a hybris da protagonista é explicitada. A questão é que toda a desgraça de Jasmine, enfocada na maior parte do tempo e até ali com uma leveza enganosa, foi causada por ela própria. E Allen […]
Ainda sobre "Gravidade"
O sr. Daniel Feltrin veio com uma leitura interessante do filme de Cuáron: “Gravidade” como uma metáfora para a concepção (o impacto primeiro), a gestação (vide a posição fetal assumida pela protagonista quando finalmente adentra um lugar minimamente seguro) e o parto (a traumática reentrada), seguido pelos difíceis e incertos primeiros passos. Bonito pensar no […]
Até a luz
Spartacus é talvez o filme mais subestimado de Stanley Kubrick. É o único que ele realizou como diretor contratado (leia-se: pau-mandado de Kirk Douglas), e não são poucas as histórias sobre o quanto a produção foi excruciante. Mas, olhando exclusivamente para o filme, os acertos saltam aos olhos desde os estupendos créditos iniciais concebidos por […]
Sobre "Gravidade"
Vendo o belo Gravidade, de Alfonso Cuáron, quase lamentei quando a personagem de Sandra Bullock afinal retornou à superfície terrestre. Porque em meio às atribulações sofridas por ela, lançada no espaço, incomunicável e com chances muito remotas de sobreviver, o que mais chamou a minha atenção foram justamente os momentos de silêncio e contemplação. O […]
Amor moderno
Frances Ha é um bilhete de amor endereçado à Nouvelle Vague em geral e a François Truffaut em particular. As marcas da primeira década da nova onda francesa estão por toda parte: personagens simpaticamente deslocados, trilha de Georges Delerue, diálogos e atuações naturalistas, fotografia em preto-e-branco e montagem que não raro eliminam o campo/contracampo e […]
Chão comum
::: Terrence Malick atravessa o Atlântico com um corte seco. ::: Amor Pleno ou, conforme prefiro chamar, To the Wonder prossegue com o arvoramento transcendente de A Árvore da Vida, mas sem a carga lutuosa daquele (ainda que uma personagem, aqui, também carregue a perda de um filho). Logo no começo, um padre (Javier Bardem) fala […]
As asas prontas para o voo
Minha asa está pronta para o voo, preferiria retroceder pois se também eu seguisse como tempo vivo seria infeliz. — Gerhard Scholem, “Saudação do anjo”¹. [Post atualizado às 09:31hs.] Há uma cena de O Homem de Aço, de Zack Snyder, que me impressionou muito. Nela, Clark Kent é uma criança. Ele está assustado, muito assustado. […]
7xGodard
1. Bande à Part [1964] Declaração de amor a um certo cinema, “Bande à Part” é uma pulp fiction. Ou o pastiche de uma, tão vibrante e espirituoso quanto “Acossado”. Não sei, mas talvez seja ainda mais livre. Um “filme de cinema” que engendrou outros tantos “filmes de cinema”, de “Pulp Fiction” a “Amateur”. Talvez […]
Contra o dia
O primeiro longa-metragem de Paul Thomas Anderson se chama Jogada de Risco e é um conto poderoso sobre a amizade entre dois homens. Há um elemento paterno-filial muito forte ali, coisa que o diretor voltaria a desenvolver em seu segundo longa (e primeira obra-prima), Boogie Nights. Nos filmes seguintes (Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue […]
