Categoria: Coisas que a gente vê no escuro

Reeducação alimentar

Notas sobre Éric Rohmer ::: Éric Rohmer (Maurice Schérer, 1920-2010) era um sujeito tão discreto que a mãe dele morreu sem saber que o filho era um cineasta mundialmente famoso. ::: Escrevi estas notas aleatoriamente, ao longo de vários dias, sem qualquer planejamento. Revi alguns dos filmes citados, mas não outros. Talvez essa anedota sobre […]

Lá fora, os ursos

Acho curiosa a identificação tout court feita por alguns da obra cinematográfica de Jafar Panahi como “neorrealista”. Curiosa, mas não absurda, pois alguns filmes dele (O balão branco, O círculo, Ouro carmim) certamente podem ser enquadrados assim, com seus atores não profissionais, personagens marginalizados, certo naturalismo, filmagens em locações etc. Mas, já no segundo longa […]

Suicídios indolores

Valor sentimental é um filme ruim. “Ah, mas os atores são ótimos.” Sim, é verdade, mas o melhor ator ou a melhor atriz do mundo é ou seria incapaz de elevar um emaranhado de falas e situações medíocres, banalmente escritas, dirigidas e montadas. Joachim Trier, cineasta de nula imaginação visual, é incapaz de conceber um […]

Sobre meninos e bombas

A cineasta norte-americana Kathryn Bigelow filma e monta melhor do que a esmagadora maioria dos marmanjos cujos filmes vejo por aí. Portanto, se há interesse em Casa de dinamite, ele se deve sobretudo ao talento da diretora e do montador Kirk Baxter (colaborador de David Fincher desde Benjamin Button, sendo um dos responsáveis pela estupenda arquitetura fílmica […]

Filme de Toledo

Um amigo presenciou a cena: em uma exibição especial d’O agente secreto em Recife, a governadora de Pernambuco subiu ao palco para (óbvio!) discursar e, mais de uma vez, chamou o cineasta Kleber Mendonça Filho de Kleber Toledo Filho. Talvez a gafe da governadora nos seja útil, pois, no filme, há o que poderíamos chamar de cenas de […]

Na ciclovia com Walter Salles

“Ainda estou aqui” é um filme discreto e elegante que evita as armadilhas óbvias (sentimentalismo, esquematismo) ao lidar com certos temas (ditadura militar, tortura, memória x apagamento (institucional ou não) do passado) e narrar a história de uma mulher e sua família. Discrição e elegância se dão porque Walter Salles é um cineasta de abordagem […]

Alguns parágrafos sobre “Megalópolis”

Uma boa surpresa (dentre várias outras) que tive assistindo a “Megalópolis” foi constatar que a estrutura narrativa do filme é absolutamente convencional, com os três atos muitíssimo bem delineados. Eu temia que, dominado pela húbris, Francis Ford Coppola tivesse sucumbido sob o peso das próprias ideias e do tamanho de um projeto acalentado há décadas […]