Chalámov

varlam

São, ao todo, trinta e três narrativas, e em todas vislumbramos “esse embotamento da alma, esse frio espiritual”, o “frio cortante, aquele mesmo que transformava o cuspe em gelo no ar”, atingindo “a alma humana”. E, com isso, até para que pudessem sobreviver, os homens se viam obrigados a prescindir de qualquer esperança e a viver “como vivem a pedra, a árvore, o pássaro, o cachorro”, e, no entanto, mais apegados à vida e mais resistentes às intempéries do que eles. Depois de sobreviver ao “chamado do Norte” e a fim de dar o seu testemunho, uma vez que, lá, tudo “o que lhe era caro se transforma em cinzas, a civilização e a cultura o abandonam no mais curto período de tempo”, Chalámov recobre com a verdade de suas palavras a vida nua daqueles desgraçados e a sua própria.

Trecho da minha resenha do primeiro dos seis volumes dos Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov, publicada na edição de sábado do Estadão. Leia na íntegra AQUI.