No “Correio”

Na edição de hoje do Correio Braziliense, há uma bela matéria assinada por Nahima Maciel sobre como a literatura contemporânea tem refletido acerca da crise política brasileira. Estou por lá discorrendo um pouco sobre meu romance Abaixo do paraíso e o momento pelo qual passamos. Leia na íntegra AQUI.

Abaixo, publico minhas respostas às questões propostas por Nahima Maciel, algumas das quais ela utilizou para escrever a matéria.

1. Até que ponto Cristiano encontra correspondência no mundo real e contemporâneo? Não dá para acompanhar a história dele sem pensar no cenário político e social atual…
Acho que Cristiano encontra total correspondência no mundo real. Vejo esse tipo de tarefeiro voejando ao redor dos políticos desde que me entendo por gente. Eles são um sintoma de como a política brasileira opera mais nas sombras e no submundo do que às claras, de como ela é viciada e violenta.

2. As atualidades da política brasileira te motivaram, de alguma forma, a escrever?
Quando concebi “Abaixo do paraíso”, os escândalos ainda não tinham atingido a magnitude atual. Mas, agora que o livro saiu e, coincidentemente, as coisas chegaram a esse ponto na política nacional, torço para que os leitores encontrem na ficção material para refletir sobre os acontecimentos e, sobretudo, desacontecimentos da nossa vida republicana.

3. Estou com pelo menos três romances que tratam dessa temática da política atual brasileira. Acho que é a resposta literária mais rápida que já vi a um fenômeno ocorrido na sociedade brasileira. Por que, na tua opinião, isso está acontecendo?
Não creio que seja uma resposta rápida. Pelo contrário. Convivemos há mais de uma década não só com escândalos como o do mensalão, mas também com uma crescente radicalização das posições políticas e ideológicas (vide as eleições de 2010 e, sobretudo, 2014). Creio que os autores tiveram bastante tempo para perceber esses fenômenos e refletir sobre eles, cada qual a seu modo.

4. Com que olhos você enxerga a política brasileira dos últimos tempos? Tem esperança? Está assustado?
Nunca tive qualquer esperança. Os acontecimentos da última década só corroboraram o meu desencanto. Não sinto medo. Apenas raiva e impotência.

5. Acha que o diálogo político no Brasil amadureceu? Ou está afundando? Como tem encarado as polarizações? O que acha delas?
Nunca houve diálogo no Brasil. Este é um país incapaz de vivência política. Somos o lugar da violência, expressa nas e pelas polarizações, por exemplo. Não haverá pacto ou entendimento, mas apenas a carnificina de sempre.