Houellebecq

Submissão é uma tradução literal de ‘islã’, e também o título do romance mais recente do francês Michel Houellebecq, originalmente lançado em meio à tormenta causada pelo atentado terrorista à redação do Charlie Hebdo. No livro, passado em 2022, acompanhamos a ascensão de um muçulmano ao poder na França e, por decorrência, uma islamização do ensino e da vida naquele país. Mas tudo isso parece ter lugar à distância, afastado pelos olhos e pela voz do narrador-protagonista, François, um acadêmico da Sorbonne, especialista na obra de Joris-Karl Huysmans (1848-1907).
“A despeito da breve sinopse acima, é bom que se esclareça que Houellebecq é um sintoma do presente, não um profeta. Em seus piores momentos, e o romance em pauta não está entre eles, ele tende a investir em um cinismo de jantarzinho pseudointelectual, esbarrando nos “temas urgentes” que assolam a Europa e o globo. O leitor se sente sardônico e esperto, ‘atualizado’, com suas imaginações. É o esteta maior da literatura-moleque, surfando na rarefação pós-moderna, na misoginia, na violência, na islamofobia, jogando, brincando com o medo que estrangula o Velho Mundo.”

Trecho da minha resenha de Submissão, de Michel Houellebecq, publicada em 25/04/2015 pelo Estadão. Leia na íntegra AQUI.