Antipornografia

Jelinek2(1)

O romance Desejo, de Elfriede Jelinek, é um dos mais polêmicos da escritora austríaca, agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura em 2004. Quando lançado na Alemanha, em 1989, e a exemplo de outros trabalhos da autora, a reação crítica foi controversa, para dizer o mínimo. Muitos até hoje consideram sua ficção gratuita, doentia ou obscena. Ao conceder-lhe a máxima honraria literária, contudo, a Academia Sueca saudou “o fluxo musical de vozes e contravozes em romances e peças que, com extraordinário zelo linguístico, revelam o absurdo dos clichês sociais e seu poder subjugador”.
Vendo por esse lado, Desejo foi muito bem definido por alguns como um romance antipornográfico: o tom é explícito e não raro escatológico, mas as descrições estão ali para nos lançar a anos-luz de uma qualquer zona de conforto. Eles causam repulsa, não excitação. Não há gratuidade.

Trecho da minha resenha de Desejo, de Elfriede Jelinek, publicada n’O Estado de S. Paulo em 23.08.2013. Leia na íntegra AQUI.