Beleza exausta

amálgama

Os narradores de Fonseca deitam seus olhos exaustos sobre uma realidade tão esgarçada quanto incompreensível. “Tudo cansa, tudo nos dá tédio, a beleza também”, lemos em “Perspectivas”. Daí, talvez, o descolorido de que falamos.  As palavras não alcançam o mundo e sua violência avassaladora, mas esses personagens insistem em descrever os percalços por que passam. Não há, contudo, o sentido de um testemunho. As histórias se sucedem como garranchos nas paredes de um banheiro público. São as pinturas rupestres de que dispomos na contemporaneidade.

— Trecho da minha resenha de Amálgama, de Rubem Fonseca, publicada n’O Estado de S. Paulo em 09.11.2013. Clique AQUI e leia na íntegra.