Fonseca

Texto publicado hoje n’O Popular*. Há uns dez anos, quando iniciava minha carreira e sentia aquela necessidade tão inescapável quanto adolescente de autoafirmação, disse, em uma enquete feita pelo jornal O Globo com vários (então) jovens autores, algumas coisas bem desagradáveis sobre a obra do escritor Rubem Fonseca. De um jeito ou de outro, sempre procuramos […]

Cidade pesadelo

Texto publicado n’O Popular em 08.08.2017. Há um conto do escritor norte-americano Dashiell Hammett (1894-1961) em que a própria cidade parece ser um organismo corrupto e assassino. Salvo engano (não estou com o livro à mão), o título é “Cidade Pesadelo” e pode ser encontrado em A Mulher do Bandido e Outras Histórias, lançada no […]

Futuro(s)

Texto publicado n’O Popular em 25.07.2017. Volta e meia nos deparamos com o uso do termo “datado” para criticar uma obra de arte, seja romance, livro, tela, filme, composição musical etc. Para o mal ou para o bem, toda obra de arte é “datada”. Em um romance do século XVIII, alguém viaja a cavalo para […]

Folhas secas

Texto publicado n’O Popular em 07.03.2017. Há uma anotação nos diários do filósofo austríaco – naturalizado britânico – Ludwig Wittgenstein (1889-1951), datada de 06 de maio de 1931, que diz o seguinte: “Em Brahms, as cores do som da orquestra são cores das marcações do caminho”. Os diários dele, mantidos entre 1930-32 e 1936-37, vieram a […]

Zoo literário

Texto publicado hoje pelo jornal O Popular. “Pode-se contar nos dedos de uma mão só o número de gente no mundo editorial que ainda respira”, diz o escritor Guy Ableman, narrador e protagonista de O Grande Zoológico, romance de Howard Jacobson lançado pela Bertrand Brasil no ano passado, com tradução de Regina Lyra. Ele tem […]

Diante do fogo

Texto publicado hoje no jornal O Popular. Não sei se acontece o mesmo com vocês, mas 2016 me deixou exausto. Foi o ano em que o Brasil exibiu, pela enésima vez e de inúmeras maneiras diferentes, a sua capacidade de ser Brasil. Como dizem por aí, este país não é para amadores. Sempre que ensaiamos […]

Da mais primitiva e bela humanidade

Preciso lhes dizer, dar testemunho de algo que vi, algo que vivenciei e ainda vivencio na memória, atrás dos olhos e dentro do meu coração tão vermelho, mais vermelho do que nunca, e peço desculpas por só conseguir fazê-lo assim, desfolegado, num só bloco, as vírgulas constituindo pausas precárias e a ausência de pontos dando […]