Fimnício

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Terminei outro dia a leitura do Finnegans Wake, de James Joyce. Usei a edição da Penguin com introdução de John Bishop e a tradução de Donaldo Schüler lançada em cinco volumes pela Ateliê Editorial (há outra edição em volume único), Finnicius Revém. Os posts que escrevi (links abaixo) são anotações feitas desorganizadamente no decorrer da travessia.

Muito embora eu tenha lido o romance de forma linear (problemático usar esse termo aqui, eu sei), as notas circulam livres. São elucidativas (para mim) na medida em que documentam essa primeira travessia; espero que sejam elucidativas para outros que se dispuserem a ler o romance. A exemplo do Ulysses, o Finnegans Wake é algo a ser relido e treslido (inclusive de forma “atravessada”, não linear); ambos se abrem na medida em que os revisitamos, e (a exemplo do que aconteceu com minhas notas de primeira leitura do Ulysses) o mais provável é que, quando tiver voltado ao livro, essas anotações soem pedestres e/ou infantilmente entusiasmadas, em vez de esclarecedoras ou sequer pertinentes.

E, é claro, há inúmeras coisas que não abordei nelas (exemplos: no longo capítulo no pub, II.3, o modo como a história do casal de protagonistas é delirantemente reimaginada pelos gêmeos; a jornada de Shaun pelo Liffey num barril, quando é abordado pelos anciões e obrigado a responder questões concernentes à carta que leva consigo, em III.1; a própria carta atravessando a narrativa, referida inúmeras vezes, ciscada, protegida, transportada, eludida e, por fim, confundindo-se com ela; em III.2, Shaun/Jaunt se dirigindo à irmã e suas amigas, um longo sermão repleto de carga incestuosa, antes que, no capítulo seguinte, a voz de HCE rimbombe mediúnica e pateticamente, posto que se vê obrigada a mais uma defesa do próprio caráter; etc.) e que, em releituras, tentarei cobrir.

Enfim.

Os olhos sempre procuram retornar ao que os agrada. Na companhia do Finnegans, abril foi o mais doce dos meses. Sou um outro após a travessia. Uma vez do outro lado, que vem a ser o mesmo, transformado, sinto-me mais apto a seguir buscando aquela terceira margem.

Finnegans Wake: notas (I) — (II) — (III) — (IV)

Imagem: Robert Berry.