A caminho

Rec.

Trabalho em um novo romance há algum tempo. O título provisório é Eufrates. Publiquei trechos dele aqui e aqui. É um livro que estruturalmente se assemelha mais a Terra de casas vazias que ao seu antecessor direto, Abaixo do paraíso (do qual, no entanto, é uma espécie de desdobramento). Histórias paralelas, tramas dispersas no tempo (de 1989 a 2013) e no espaço (São Paulo, Buenos Aires, Brasília, Silvânia, Jerusalém — mais ou menos como o Terra, veja só), personagens saindo (ou entrando) pela janela. Na verdade, trabalho em Eufrates há bastante tempo, embora não soubesse disso até outro dia. Histórias que rascunhei, engavetei e que agora retomo e reescrevo, contos que não pareciam contos, mas narrativas esperando que eu as comple(men)tasse. No momento em que encontrei uma espinha dorsal que julgo capaz de sustentar tudo isso, soube que tinha um algo novo a caminho. É o trabalho. Tatear até encontrar um interruptor. É o que é. No fim das contas, acho que escrevo um só livro, interminável, e que restará interminado — mas pronto a seu modo — quando eu morrer. É o melhor que posso esperar. É o melhor que posso fazer. Pretendo terminar Eufrates até o final deste ano e ele deverá ser lançado em 2018 pela editora José Olympio. Após anos trabalhando com a Rocco, que sempre cuidou tão bem de mim e dos meus livros, senti que era o momento de mudar. Talvez eu esteja me tornando mais e mais heraclitiano com o passar dos anos. O tempo dirá. Enquanto isso, sigamos.