Bogie.

Bogie

Humphrey nasceu em Nova York, no finalzinho do século XIX. Ele nasceu no dia de Natal. O pai dele se chamava Belmont e era um médico com diplomas da Columbia e de Yale. A mãe dele se chamava Maud e era artista gráfica, dizem que muito bem sucedida. Eles viviam no Upper East Side, que é um ótimo lugar para se viver e coisa e tal. Maud era uma mulher distante, um iceberg. Humphrey não dava muito certo com os velhos, e eles meio que se sentiam decepcionados com o garoto, que parecia insistir em enfodecer as expectativas deles. Quer dizer, ele até pensou em seguir a carreira do pai, mas a expulsão da prep school Phillips Academy, em Andover, não deve ter ajudado muito nesse sentido. Humphrey, então, dirigiu caminhões por um tempo e depois se juntou à Marinha. Foi à Primeira Guerra Mundial. Quando o barco em que estava foi atacado, um pedaço de madeira rasgou sua boca: ele não falava daquele jeito por acaso. Quando voltou da guerra, Humphrey começou a atuar nos palcos do Brooklyn sem nunca ter feito um curso de interpretação na vida. Suas três primeiras esposas eram todas atrizes. A terceira e mais louca delas, Mayo, apelidada “Sluggy”, bebia como se não houvesse amanhã e ficava paranóica, nutria uns ciúmes doentios dele. Mayo chegou a esfaquear Humphrey num dos inúmeros quebra-paus que tiveram. Mas a verdade é que Humphrey era um sujeito assim machista e não muito ligado nisso de fidelidade. Assim: ele exigia fidelidade das mulheres. Quando Maud morreu, ele colocou no certificado de óbito que a ocupação dela era “dona de casa”. Humphrey bebia a sério, como se dizia na época, e acabaria morrendo em decorrência disso e também dos cigarros, claro. Você olhava para ele e parecia que ele nunca tinha sido jovem. Tinha aquele ar grave e ao mesmo tempo turbulento, e era como se estivesse nas sombras desde sempre. A quarta esposa dele foi Lauren, “Baby”, 25 anos mais nova. Ele a traiu durante muitos e muitos anos com sua (dele) cabeleireira, cujo nome eu não consegui descobrir. Humphrey e Lauren ficaram juntos até 1957, quando ele morreu. Acho que foi em janeiro.

2 opiniões sobre “Bogie.

  1. adoro “enfodecer”. gostei desse estilo biografia casual. Bogie teve uma vida pra lá de agitada. li o livro do filho dele biografando o pai. una mierda. ressentido. sempre que avisto Bogart na telinha paro pra ver. outro dia mesmo vi um dos filmes dele e tive um click, ele não é a cara do Chaves? (o humorista, please). preste atenção. ele e John Huston tinham muita história juntos. rs. na verdade, era um canastrão muito convincente, dos bons, como James Dean, Marlon Brando, Robert de Niro (detesto), isso pra falar só de alguns mitos. e já falei demais.
    bj
    bj

  2. Gostei de brincar assim, Maira. Se calhar, qualquer dia desses escrevo mais. Só não pode biografar brasileiro, porque os herdeiros processam, tiram o blog do ar e coisa e tal rs. Beijos.

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