Como desaparecer completamente

ROMANCE
Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

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Leia um trecho do romance AQUI.
E um excerto traduzido ao espanhol AQUI.

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RESENHAS, ENTREVISTAS ETC.

A REINVENÇÃO FORMAL DE COMO DESAPARECER COMPLETAMENTE
por Maria Carolina Maia
VEJA Meus Livros – 23.01.2011.

Histórias de amor e desencontro em São Paulo, em um livro que muda de narrador e que vai se tornando, pouco a pouco, o diário de um blog, uma troca de e-mails, o roteiro de um possível curta-metragem. É no cruzamento de personagens e na dissolução e reinvenção formal que reside a força de Como Desaparecer Completamente (editora Rocco, 185 páginas), segundo romance do goiano André de Leones, revelado pelo Prêmio Sesc de Literatura em 2005.
“Certa noite, de pé junto à privada, limpando o pau com um pedaço de papel higiênico, ela no quarto ao lado, deitada na cama, as pernas meio abertas, descoberta, ele disse, de si para si, sem que ela pudesse ouvir: ‘Não é sequer dela mesma’”, diz trecho do frio romance entre os aposentados João Bosco e Angélica. Ele, um juiz aposentado que mais adiante se envolverá com a amiga da neta – com quem a estudante Maria Paula também já trocou carícias e fluidos. Ela, uma setentona que se apresenta ao outro de forma abreviada, sem se revelar por completo, sem entrar de fato no relacionamento.
Esses são apenas alguns dos cruzamentos de um livro que se compõe como a malha do metrô de uma grande cidade. Há outros: Angélica é avó de Marcelo, personagem que logo no primeiro capítulo é expelido da casa da namorada, Mariana, que já no dia seguinte irá conhecer a namorada Augusta, viúva de Silvânia, numa cena surreal em que alguma inverossimilhança se mistura com um certo espanto diante da metrópole.
Se é na reformulação formal que se encontra a força do livro, é, por outro lado, na descrição das personagens que por ele transitam e no olhar sobre a capital por vezes como que lançado do interior que o romance perde um pouco de sustância.
“Uma moça está caída na esquina da Bela Cintra com a Paulista. Horário de almoço, algum risco de ser pisoteada? Atravessar a rua até a outra calçada onde ela jaz. Estatelada. Talvez alguém a ajude antes. Caída à entrada de uma farmácia. Uma jovem de branco, a farmacêutica de plantão se abaixando e fazendo o que é preciso, fazendo o possível? Não, ninguém. Todos muito ocupados lá dentro. Aproveite o seu horário de almoço. Cremes, loções, absorventes, ansiolíticos.”
É Mariana quem está caída, de ressaca do rompimento com Marcelo, sobre a calçada de onde será recolhida por Augusta. Dali, as duas irão para um bar e, do bar, para a cama. Uma rapidez que não convence – mas que, por outro lado, condiz com o ritmo da cidade que abriga a história.
É de Augusta, também, um trecho em que o autor entrega mais do que devia. Ao descrevê-la, o autor fornece informações que podem prejudicar uma visão mais interessante da personagem. Como nesta passagem: “O tipo de coisa que não tem nada a ver, mas que, exatamente por isso, por não ter nada a ver, acende a curiosidade de Augusta; o tipo de coisa capaz de fazê-la parar com o que quer que esteja fazendo para prestar atenção, capaz de acalmá-la na medida em que proporciona um mergulho, frequentemente desajeitado e por vias tortas, numa qualquer alteridade. Augusta está sempre mergulhando ou mergulhada no outro.”
Do já falado ritmo, contudo, André de Leones não carece. Seu texto é ágil, líquido, carrega o leitor sem dificuldade. E tem passagens bonitas como aquela em que Marcelo, neto de Angélica e ex-namorado de Mariana, conta que colocava o ouvido sobre São Paulo para ouvir a cidade, e o que ouvia era o mar. Um romance que mostra o potencial do autor, expresso principalmente nas remodelações formais do livro, capazes de transformar uma leitura em leituras diversas. É dele, aliás, um dos melhores contos da Antologia Pan-Americana recém-lançada pela Record.

Valor Econômico – 07.01.2011
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ValorEc

Jornal do Brasil – 25.12.2010.
Clique AQUI para ler a resenha de Eduardo Sinkevisque.

ENTRELINHAS / TV Cultura
Entrevista veiculada em 29.11.2010.