Na “Pessoa”

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Bruno viu como o tio a empurrou escada abaixo, viu o movimento ligeiro do antebraço contra as costas da mulher, viu o ombro esquerdo se pronunciando à frente em uma coreografia similar à do zagueiro faltoso ao deslocar de forma desinteligente o atacante adversário diante de uma bola alçada na área e dos olhos incrédulos dos circundantes, uma clara penalidade, embora ali, naquela parte do navio e àquela hora do dia, não houvesse — não devesse haver — quaisquer testemunhas. Vindo pelo corredor, as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta jeans, pensando na revista em quadrinhos que ia buscar na cabine, Bruno também viu os braços da tia se abrindo e ouviu o grito curto e agudo e algo infantil, e então o corpo dela desapareceu como se engolido por um alçapão.

— Trecho de Granada, um conto. Leia na íntegra na Revista Pessoa.