Após a travessia do “Eufrates”

Dubois

Em 2003, coloquei o ponto final em “Você não quis dizer nada” (primeiro conto que julguei publicável, incluído no meu segundo livro). Neste início de 2018, estamos fazendo os derradeiros ajustes em Eufrates. Logo, posso dizer que escrevi sete livros em quinze anos. Se incluir meu pequeno livro infanto-juvenil, ainda inédito, escrito após a tormenta de Terra de casas vazias, são oito. Sofri para escrever uns (Dia Morto, Terra, Eufrates) e me diverti horrores com outros (Dentes negros, Abaixo do paraíso). Cada um deles encontrou e segue encontrando seus leitores, e nada é mais gratificante do que isso. Lançaremos Eufrates em breve e, pela primeira vez em todo esse tempo, passada a divulgação do novo livro, não recorrerei aos cadernos estropiados, nos quais anoto cotidianamente minhas ideias, à procura da história seguinte. Ideias sempre há, e projetos, histórias, coisas deixadas pelo caminho pedindo para serem retomadas etc. Mas acho que chegou a hora de dar um tempo. Espero que vocês gostem de Eufrates. Espero que a gente se esbarre no lançamento e/ou num desses eventos de que eu vier a participar (o  Arte da Palavra vem aí). Espero que o infanto-juvenil e a edição revista do Dia Morto sejam lançados em 2019 (estamos trabalhando nisso). Aconteça o que acontecer, foi uma bela caminhada, à qual darei prosseguimento de uma forma ou de outra. Importa seguir atento àquela velha fome, pois, conforme os versos de Rilke, “para nós não há amparo / neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe, / a árvore de alguma colina, que podemos rever / cada dia; resta-nos a rua de ontem / e o apego cotidiano de algum hábito / que se afeiçoou a nós e permaneceu”. Sigamos.