Conexões etc.

Links, citações, microrresenhas, apontamentos.
Às quintas, neste espaço.

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“A Internet é uma ferramenta estupenda, mas não hierarquiza a informação. O que eu ou Vargas Llosa ou Saramago possamos dizer, e o que um filho da puta analfabeto possa dizer estão ao mesmo nível. Não há diferença. Aliás, o que disser o filho da puta analfabeto terá mais repercussão, porque será mais violento. É o receptor que tem de fazer a selecção. Mas o receptor ocidental não está intelectualmente preparado para isso. Por isso a Internet não vai servir para melhorar o mundo, mas para piorá-lo.”

Arturo Pérez-Reverte, em entrevista ao Público. Leia na íntegra AQUI.

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“The debacle of the left is one of the defining facts of our time. The irony is that it has come about because of a crisis in capitalism. Anyone who thought the near-collapse of the global financial system would open up a “social-democratic moment” had not bothered to consider what voters want in times of economic upheaval. More sceptical in their thinking than progressive elites, most people are unimpressed by visions of an ­imaginary egalitarian capitalism. They turn instead to the power of the state to protect them from the anarchy of the market.”

John Gray, num artigo publicado pela New Statesman, AQUI.

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“Eu a interrompi de maneira um pouco ríspida, dizendo que um grande amigo nosso tinha morrido de forma estúpida e aleatória por causa da miséria que havia acompanhado a raça humana desde sempre, e que não tinha nada de novo nisso. Não tinha a ver com o aquecimento global ou com o fim do mundo. Apenas um mundo havia acabado, e era o mundo de Andrei. Esse mundo somente ele conheceu. Mas ele havia se esforçado pra compartilhá-lo da única maneira que estava ao seu alcance, a literatura, esforço que o consumia quase às raias de um autismo social. E a moral da história naquilo era o prevalecimento do que nos fazia humanos, incluídos o medo da morte e o medo do apocalipse. Era o compartilhamento e a propagação desses e de todos os outros sentimentos e valores, não importava quão fodidos estivéssemos nós ou o mundo, sempre na direção daquela unidade ideal em que todas as vidas se apagavam somente para se encontrarem, o nosso acesso às demais vidas, a entrega que nos permitia encontrar uma dissolução em vida no lugar de uma dissolução na morte, que de todo modo viria cedo ou tarde mas que não deveria chegar aos trinta e seis anos com um tiro na cabeça por causa de um telefone celular. (…)”

Daniel Galera, no bom Meia-noite e vinte. Bem-resolvido, um romance cuja pretensão não se confunde com presunção. Saltar de costas e tocar o passado com as pontas dos dedos nunca é fácil, ou simples, mas o autor se sai razoavelmente bem.

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“(…) Já estava fechando o zíper do estojo de toalete quando ouviu a explosão lá fora e se jogou no chão de lajotas. Os vidros da janela se estilhaçaram. O quarto foi invadido por uma nuvem de poeira. Não se enxergava nada. Era uma cegueira tão mais aflitiva e ofuscante por sublimar a claridade do dia com uma espécie de nevoeiro leitoso no qual o tempo parecia conservado em formol. Depois de alguns segundos do silêncio mais absoluto, ele começou a ouvir gritos lá fora, seguidos de tiros. (…)”

Bernardo Carvalho, num raro bom momento do péssimo Simpatia pelo Demônio. O romance dá com os burros n’água ao forçar um paralelo tão óbvio quanto pueril entre diversos tipos de violência. Às vezes, soa como as anotações de um aluno bem intencionado, mas limitadinho, de um desses cursos da Casa do Saber. Já fomos melhores do que isso, não?

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Na minha colaboração quinzenal para o jornal goianiense O Popular, escrevi sobre Star Trek, AQUI.

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Por fim, neste Setembro Amarelo, linko ESTE texto corajoso de Luisa Geisler para o Blog da Companhia e, como apêndice, estas minhas Notas sobre a tristeza.

Sigamos.