Sarmento lê “Abaixo do Paraíso”

Cristiano é uma personagem complexa. Aparenta conformar-se ao mundo ao redor e a seu papel invisível no funcionamento desse mundo com uma apatia dosada, às vezes confundida com indiferença. Ele observa os fatos sem interpretá-los; seu esforço é apenas o de encaixá-los quando necessário e não para justificá-los ou justificar a si mesmo, mas para melhor enxergar saídas ou ganhos imediatos. Não é frieza, mas objetividade, a impressão de que qualquer esforço que faça pouco poderá mudar a ordem em que as coisas acontecerão. Leones trabalha com maestria essa perspectiva herdeira da tragédia grega, a de que, se você fugir do seu destino estará, na verdade, correndo para abraçá-lo. Então Cristiano não corre (pois sequer possui um rumo certo), não pergunta, não busca consolo, não se lamenta. Cristiano apenas se move, quem sabe por acreditar que um alvo em movimento é sempre mais difícil de acertar. Aliás, a ideia de um destino que, não importa o quanto fujamos, segue nossos passos “como um louco de navalha na mão” (como diz o poeta Arseni Tarkóvski), é reforçada pela frequência de referências bíblicas pinceladas ao longo do romance.

Trecho de resenha de Abaixo do Paraíso por Tadeu Sarmento. Leia na íntegra no site Mallarmargens, AQUI.