Cinema & TV / 2014

Última lista do ano, prometo. E eu hesitava em fazer porque fui relativamente pouco ao cinema em 2014. Daí, assuntei as listas alheias e percebi que não perdi muita coisa. Ademais, algumas das melhores coisas que vi foram produções televisivas. Só coloquei filmes lançados comercialmente no Brasil em 2014 (mostras e festivais não incluídos). Segue a lista, em ordem de preferência.

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1.

instinto materno

INSTINTO MATERNO,
filme de Calin Peter Netzer.

Como diria Marlon Brando, as mãos emporcalhadas de manteiga: “Família, essa instituição sagrada que tenta incutir virtude em selvagens”. É também um filme sobre responsabilidades: do filho para com suas ações; da mãe para com o filho; das autoridades para com quem paga mais. É falado em romeno, mas se passa no Brasil. Não?

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2.

missviolence

MISS VIOLENCE,
filme de Alexandros Avranas.

Muitos leram esse filme como uma espécie de espelhamento, a depauperação econômica refletida na miséria moral (e vice-versa). Besteira. É um filme sobre o porão escuro em que uma família se mete por obra e graça do pai/avô. Estamos na Grécia, mas podia ser na Noruega ou no Uruguai. O que você dizia mesmo, Marlon?

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3.

TD

TRUE DETECTIVE,
série de Nic Pizzolatto.
Escrevi sobre ela AQUI.

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4.

wstreet

O LOBO DE WALL STREET,
filme de Martin Scorsese.
Escrevi sobre ele AQUI.

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5.

fargo

FARGO,
série de Noah Hawley.

O filme de Joel e Ethan Coen, lançado em 1996, é uma parábola moral de primeiríssima grandeza, ancorada numa personagem soberba (a policial grávida interpretada por Frances McDormand). A série recupera toda aquela brancura violenta, devassando sem dó a idiotia que facilmente evolui para a perversidade.

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6.

olivek

OLIVE KITTERIDGE,
minissérie de Lisa Cholodenko.

Belíssima adaptação do livro de contos homônimo de Elizabeth Strout, agraciado com o Pulitzer em 2009, é um lento e doloroso passeio pela vida de uma mulher cuja irascibilidade extrema quase resulta numa solidão irredimível. Quase.

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7.

nebraska

NEBRASKA,
filme de Alexander Payne.

Em seu melhor trabalho, Payne dá todo o espaço do mundo para que Bruce Dern, caindo aos pedaços, empreenda uma viagem rumo ao nada para, sem querer, reencontrar a família, ou o que sobrou dela. O filme é sobre a possibilidade de morrer em paz, apesar de tudo.

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8.

ny-c

BEM-VINDO A NOVA YORK,
filme de Abel Ferrara.

O caso Dominique Strauss-Kahn serve para Ferrara descrever um mundo predatório, no qual as demandas do corpo são temporariamente saciadas mediante a submissão e eventual obliteração do outro. É o estupro como modus operandi aceito pelo Estado. De certa forma, a vítima é violentada duas vezes, a segunda delas pelo sistema judiciário.

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9.

ny

ERA UMA VEZ EM NOVA YORK,
filme de James Gray.

James Gray é um dos melhores cineastas em atividade e, muito embora este não seja o seu melhor trabalho (fico com The Yards e We Own the Night), estão lá o estilo classudo, o interesse humano genuíno e a sofisticação que não chama a atenção para si mesma, mas serve à narrativa (vide o que ele faz com os espelhos).

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10.

hustle

TRAPAÇA,
filme de David O. Russell.

Este aqui cresceu com o tempo e as revisões. Russell, scorseseano como poucos, articula muito bem uma narrativa em que todos querem tudo, mas, quando muito, conseguem voltar ao lugar de onde saíram. Dentro das circunstâncias, é o melhor que lhes poderia acontecer.

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