Nós, os bárbaros

sermão

Se pensarmos na França contemporânea, assolada por choques culturais e crise econômica, o contraponto com a decadência romana não é despropositado. A diferença é que o “lento labor de demolição” parece antes entranhado nos personagens do livro, e não fora deles. Ferrari não vocifera contra a civilização ocidental ou lhe anuncia o término, mas nos insere em um movimento maior, humano e por isso bárbaro, cuja beleza está além de qualquer ideal civilizatório irrealizável. Algo acontece perto do desfecho, uma violência tão gratuita quanto anunciada, para que ele encerre esse romance estupendo com a hipótese segundo a qual os “mundos passam, em verdade, um depois do outro, das trevas às trevas, e sua sucessão talvez não signifique nada”.

— Trecho da minha resenha de O sermão sobre a queda de Roma, de Jérôme Ferrari, publicada n’O Estado de S. Paulo em 18.05.2013. Clique AQUI e leia na íntegra.