A verdade está no corpo

Lady Chatterley
Pascale Ferran, 2006.

Até ontem, todas as adaptações cinematográficas de “O Amante de Lady Chatterley” que eu tinha visto eram softporns. D. H. Lawrence merecia coisa melhor, e a cineasta francesa Pascale Ferran fez jus a ele. Seu “Lady Chatterley” é lento e árido feito a vida, e igualmente recompensador se o amigo aí for paciente e generoso.

Poucas vezes eu vi dois personagens procurando e descobrindo os corpos um do outro com tamanha beleza. O filme se despe cruamente, e sua verdade está na carne. Dentro e fora dela, jamais além. Não por acaso, “Lady Chatterley” representa o desejo e o ato de trepar de maneira raramente vista por aí.

Ferran devolve ao corpo toda a sua urgência avassaladora sem jamais ser explícita ou vulgar. Acho que era disso que o clássico de Lawrence precisava: uma sensibilidade feminina e invulgar.